A violência contra a mulher no século XXI é, mesmo após a Lei
Maria da Penha, um dos acontecimentos mais comuns nas famílias brasileiras.
Isso se deve à cultura machista ainda predominante, ao receio das mulheres em
verem punidos os acusados, bem como à ausência de apoio psicossocial das
vítimas e de seus filhos.
No Brasil, a posição da mulher durante muito tempo era de uma
pessoa relativamente incapaz. O Código Civil de 2002 foi o responsável por
modificar essa arcaica realidade ao colocá-la com a capacidade civil
equivalente a do homem. Contudo, o conjunto de crenças e pensamentos culturais
permanecem enraizados no âmago da coletividade no tocante à figura feminina. Adjetivos
inferiores como impotentes e despreparadas a tomarem posse do que é seu e do
que é capaz de fazer pelo que é seu comprovam a permanência do machismo.
Verifica-se que, por mais que restem extirpados algumas práticas
preconceituosas contra a mulher, ainda é recorrente que esta seja tida como ser
inferior e incapaz de reger a própria vida. Percebe-se tal comportamento, em
alguns casos, nas próprias mulheres, ao cederem espaço ao companheiro, quando
os autoriza a permanecer na agressão física e psicológica porque acham que eles
são superiores e sempre conservam a razão sobre tudo e todos.
Em conformidade com isso, vê-se que o medo e a insegurança em
contestar perante autoridade policial aquilo que sofre no ambiente interno e de
convivência íntima com o parceiro, leva, por vezes, ao silêncio e ao adiamento
da solução mais justa. Elas preferem se calar e manter o risco de novas e
calorosas discussões até que tenham novamente sua dignidade dilacerada.
Ademais, por trás desse receio
está a ineficiência do Estado ao não prover, nas Delegacias e Secretarias da
Mulher, quantitativo de profissionais suficiente da Psicologia e da Assistência
Social para orientarem as vítimas. Acontece que, em razão do número de casos
ser elevado, não há profissionais que atendam a demanda. A ineficácia de
atendimento acaba por interferir negativamente na aplicação da Lei, pois muitas
mulheres desistem de denunciar.
Portanto, para que surta melhor
efeito e minimize a violência doméstica, a mulher deverá ser incentivada, por
todos os meios de comunicação, a denunciar qualquer tipo de agressão. Deverá
também haver o aumento do número de intelectuais habilitados que se
responsabilizarão por toda orientação psicológica da mulher quanto aos seus
direitos. Dessa forma, uma vez amparadas estarão mais preparadas para combater
a afronta a sua integridade física, moral e mental.